Nunca se viu tanta literatura de auto-ajuda como hoje, são títulos e mais títulos sobre o assunto, não são poucos os autores que se consagram com o tema, editando um número sem fim de livros e todos condizendo com a fórmula para se dar bem nos relacionamentos profissionais, pessoais e outras áreas da vida.
Enquanto escrevia lembrei de Raul de tem no nome o infinito da lua e que cantava certa feita algo mais ou menos assim:
"Mas é que se agora pra fazer sucesso,
Vender de protesto
Todo mundo tem que reclamar.
Eu vou tirar meu pé da estrada,
Também vou entrar nessa jogada,
E vamos ver agora quem é que vai agüentar".
Longe quero estar de seguir a tendência literária para satisfazer apenas a vontade pessoal de ser lido, mas, intenciono nesse artigo não científico, analisar brevemente a razão pela qual tais obras ganham notoriedade e vão para a cabeceira de muitos e se tornam dignos de serem comentados entre as boas rodas de conversas cultas.
Há alguns anos conheci alguns autores que escreveram sobre o poder da mente e o poder do pensamento positivo, apliquei impiedosamente a minha cabeça para pensar positivo e determinar acontecimentos ainda não existidos. Depois de algum tempo percebi que os acontecimentos seguiam algo superior a minha vontade e que pensá-los não os determinava, mas, me garantia maior acompanhamento sobre o fato. A não realização do esperado provocava uma leve decepção e o pensamento de que tinha tido pouco emissão de ondas positivas acerca do fato. Será? Eu até ficava repetindo – Vai dar certo... Vai acontecer assim...
Condenava bastante o negativista, aquela pessoa que tudo para ela está ruim, que só sabe reclamar, tipo o Lippe, a iena do desenho Leão da Montanha, você lembra? Essas pessoas parecem contaminar o ambiente com as ondas negativas e eu até acredito que atraiam coisas ruins.
Bem, retornemos, o fato ponderado é o sucesso dos livros de auto-ajuda e a sua real eficácia. Um autor em especial, psicanalista, tem feito um sucesso danado. Augusto Cury tem, no Brasil, puxado a fila, editou diversos títulos e até se arvorou em analisar a personalidade do Senhor dos Senhores. Sucesso garantido só pela capa.
O solo sequioso quando encontra qualquer líquido há de sorvê-lo com a avidez do líquido mais precioso para si. Em terra sedenta até café mata a sede d’água.
Fui debruçar-me então sobre a sede dos que bebem da fonte da auto-ajuda literária para tentar descobrir algo mais. Não foi difícil entender que quem os lê são pessoas que querem crescer que querem se conhecer e que são pesquisadores, quase sempre bem intencionados. Ah! Claro e muitos que acreditam que podem tirar algum proveito para a vida pessoal no tangente ao relacionamento humano.
Nessa busca implorada pela insaciável sede julgo mister a análise da qualidade da bebida. Pergunto: Será conveniente se lançar aos títulos que prometem transformações mágicas em poucos dias?
Os livros têm facilidade de despertar o leitor a aplicar o lido em curto tempo, isso é perigoso, o construído rapidamente pode também facilmente desmoronar.
Crescemos lentamente, e, as formações mais belas da natureza são morosas e quase imperceptíveis seu crescimento. Sugiro, salvo a sua ilustre ponderação pessoal, que aprecie algumas páginas do livro almejado antes de comprá-lo e conversar com alguém que o tenha lido. Depois então de adquiri-lo, sorver das palavras do autor a singeleza do crescimento lento e constante dentro de um a plano definido por ti mesmo. De novo, dentro de um PLANO definido por ti mesmo.
Julgo ainda importante a leitura de gêneros distintos, pois, é na diversidade que, além de saciar a sede do leitor, concorrerá para o crescimento e estímulo de áreas mentais ainda não descobertas.
E lembre auto-ajuda, como o próprio nome, é você mesmo quem a produz e é uma ajuda não uma fórmula mágica para realizar transformações mirabolantes em tempo exíguo.
Um abraço de ajuda à autocompreensão de quem sem ti escrevo ao léu.